1. Expandir o sentimento do “fim de
semana-feriado-férias” para os “dias de trabalho”.
Por que o
brasileiro gasta tanto tempo fazendo o que não gosta e que pouco transforma e
traz benefícios? Como tudo o que vive, os brasileiros também morrem em dias que não se pode prever.
Para recompensar os dias de trabalho duro, se dá de recompensa qualquer coisa que queira, pouco
considerando os efeitos das suas escolhas nos outros e no seu ambiente. As
consequências são difusas, mas enormes, desde curtir um som vibrando carros e toda vizinhança ao redor, até se entulhar, e entulhar seus lixos, em praias e shopping centers.
Geralmente, os métodos da farra-diversão-entretenimento do merecido triângulo “férias-feriado-fim de semana” trazem pouco benefícios coletivos e muitos “pagam o pato” dos excessos, incluindo graves ameaças ao ambiente natural. Toda a situação se agrava pois o trabalho dos dias úteis não é tão bem sucedido e eficiente porque é realizado às pressas e sem motivação. O mais comum é já chegar no trabalho cansado e esperar ansiosamente para ir embora, descansar.
Cada um dos milhões de trabalhadores, deste recém-intitulado Brasil, trabalham sem saber o porquê, mantêm estruturas que não sabem de quem, vestem camisas que não sabem origens, abraçam causas que não acreditam, giram o movimento “das coisas” como se fossem necessárias, eternas, e imutáveis. E assim o fazem para ter segurança. Mas, não parece falsa essa segurança? Primeiro, porque parece falso qualquer benefício ou posse que seja individual ou particular. Na hora que chega a famigerada “necessidade”, nenhum dinheiro pagará pela incompetência generalizada que se instala nesse “mecanismo das coisas”. Segundo, porque se investe muito frente ao que se tem em retorno.
Geralmente, os métodos da farra-diversão-entretenimento do merecido triângulo “férias-feriado-fim de semana” trazem pouco benefícios coletivos e muitos “pagam o pato” dos excessos, incluindo graves ameaças ao ambiente natural. Toda a situação se agrava pois o trabalho dos dias úteis não é tão bem sucedido e eficiente porque é realizado às pressas e sem motivação. O mais comum é já chegar no trabalho cansado e esperar ansiosamente para ir embora, descansar.
Cada um dos milhões de trabalhadores, deste recém-intitulado Brasil, trabalham sem saber o porquê, mantêm estruturas que não sabem de quem, vestem camisas que não sabem origens, abraçam causas que não acreditam, giram o movimento “das coisas” como se fossem necessárias, eternas, e imutáveis. E assim o fazem para ter segurança. Mas, não parece falsa essa segurança? Primeiro, porque parece falso qualquer benefício ou posse que seja individual ou particular. Na hora que chega a famigerada “necessidade”, nenhum dinheiro pagará pela incompetência generalizada que se instala nesse “mecanismo das coisas”. Segundo, porque se investe muito frente ao que se tem em retorno.
Para um senso real de benefícios é necessário
confiança. Essa já está extremamente comprometida na sua base justamente pela descrença sobre a
capacidade e a eficiência das peças do
sistema. Por exemplo, em um acidente ou ataque cardíaco, que retratam cenários
mais graves de necessidade, haverão muitas peças envolvidas para se a execução de um bom socorro. Peças que vão da disponibilidade
e preparo e funcionamento da telefonia, da ambulância/helicóptero de resgaste,
do motorista/piloto, dos socorristas, das enfermeiras à equipe médica, aos
quais se espera toda qualidade. Ressalta-se ainda que para tudo se conta com a
fluência e a qualidade em termos de transporte (um bom brasileiro, com o típico humor
irônico da dura experiência, deve estar a dar risada). No caso do vitimado ser “bem assegurado”, posto pagamento e
contrato com “o melhor” plano médico do mercado brasileiro, na melhor das
combinações, ainda poderá ter por vir o maior susto: a conta final do que
o seguro não cobre. Mas, na maior parte dos casos mesmo, envolvendo
trabalhadores de mesma dedicação (por vezes, até maior em tempo) a incerteza
residirá já no nível da compreensão da localidade já do atendente, piorada se
tiver em fronteira de munícipios, se o SAMU realmente vai chegar a tempo, e se
tiver equipe trabalhando naquele certo momento no hospital público.
Afora as experiências diretas de riscos a integridade física,
as descrenças e desconfianças sobre cada uma das peças envolvidas no
cada atender às necessidades do brasileiro, controversamente, asseguram outras
formas de riscos. Mas aprofundar nisso só faz é ter muito mais coisa pra se pensar do que já se tem. Então, “peloAmor”! Para aliviar tanta opressão
diária, o brasileiro se dá de presente o tão esperado “fim de semana-feriado-férias-aposentadoria”. Só assim pode
sobreviver nessa rotina de insegurança e estresse...
Tudo o que se torna mais desejado será o alívio, a anestesia
que repercute para seguir os dias úteis.
No alívio, então, sim, se poderá fazer o que sempre se quis. Só nesses dias não
úteis, a vida parece ser boa.
Mas, onde está a alma desses
milhões de trabalhadores nos dias úteis?
Onde residirá o desejo genuíno de se realizar aquele trabalho, um bom trabalho,
que tem o verdadeiro potencial de impulsionar transformação social? Está
manifesto apenas artificialmente nas reclamações de todo-santo-dia ou virtualmente, no desabafo por facebook?
Então, o trabalho, que supostamente “realiza o homem”,
continua sinônimo de escravidão no Brasil. A escravidão do século XXI tem um
formato elaborado, quase imperceptível, pois condicionado - tal qual um cão
amarrado num graveto.
O rebelde foi morto por seus iguais, avarentos de posses,
prêmios, condecorações e insígnias a serem emitidos pelas inúmeras Mesas da Consciência e Ordens. E agora,
neste século, quando surgem, se é que surgem, os revoltosos automaticamente se
excluem ou são excluídos de forma sutil. Esse “louco”, que vê as engrenagens e
observa atônito para onde escorre o suprassumo dos benefícios do trabalho
coletivo, torna-se incompatível, não tem como misturar por sua natureza
distinta. É água e óleo. A alma sempre manterá sua natureza, pode o corpo fazer
o contrário. O que há de humano em todos reside calado. O que há de “louco” em
todos, é o que dificulta no levantar para ir trabalhar. Os rebeldes não podem
ser zumbis, que sem alma, sem amor e motivação, executam atividades “por obrigação” em um circuito de tanto
desperdício, impactos e benefícios elitizados.
Pode ser que seja melhor não fazer nada.
2. Fazer somente o que se gosta e
preenche.
A vida é o mais urgente. Viver estressado e desestimulado,
“reclamão” de tudo e de todos é justamente o oposto de “viver”. Todos os
milhares de “brasileiros reclamões” assim o são, pois todos os dias levam à
morte os seus potenciais humanos verdadeiros, criativos e livres. Não há
culpados de fora, o agente que força cotidianamente o incabível de “caber” na
própria alma é o seu próprio dono (supostamente após 1888). Um cão condicionado
a corrente ainda pode ser capaz de observar o seu entorno e se tornar capaz de
perceber que pode sair correndo, pois agora está simplesmente amarrado ao um
graveto.
Viver infeliz para agradar/enriquecer a alguém ou a um
sistema desconhecido, de objetivos duvidosos, é morrer no graveto.
O que promovem de verdadeiro os milhões de
trabalhadores-zumbis que se locomovem diariamente na capital paulista, por
exemplo? As capitais fedem, há lixo e bagunça pra todo o lado, nada é planejado
e as consequências negativas do modelo econômico-social se agravam. Parece tudo
feio, cinza e poluído mesmo na promovida capital mais rica do Brasil. Há desigualdades crônicas, desânimo e
ineficiência em todos os seus milhares de departamentos.
Como seria isso possível? Por que é assim, se milhares e
milhares de trabalhadores acordam diariamente para lá exercerem suas atividades
úteis? Fazem o que com todo o seu
potencial posto em movimento? Todo o conhecimento e entendimento atual tem sido
posto em prática no que é coletivo? O que impede?
Talvez o alívio seja forte demais e o retorno para casa faz sempre
o lar ser doce, e o mundo lá fora ser
amargo. Mas a casa está no mundo.
Então, tudo amarga.
3. Expandir o conceito do “cuidado familiar” para o entorno.
A família e a moral são pilares das ações do brasileiro. Mas
de certa forma, podem estar impedindo que o conhecimento e a vontade humana
virem práticas que tragam benefícios ao coletivo. Parece que estão todos muito
preocupados com o “meu”, a “minha família”, como se essa pequena esfera fosse
possível de estar destacada e isolada, como se fosse mais exclusiva e mais
importante na comparação às demais.
É verdade que se pode dormir confortavelmente quando se sabe
que os entes queridos estão bem e seguros. Mas lá fora, entes queridos de
outros estão com muitos problemas, incluindo os elementos da natureza. A moral
atribuirá a eles as explicações por causas e consequências daqui ou do além, que permitirão certo relaxamento por um
esquecimento parcial ou completo.
Mas os impactos difusos advindos da “segurança” e dos
benefícios exclusivos ao particular somam-se e causam chagas sociais e
ambientais crônicas. E tudo que é coletivo fica a cargo do setor público
governamental, e com razão-relativa, já que recebem tamanhas “bênçãos” pelos
mais altos impostos do mundo, sofridamente pagos pelos brasileiros (a dinheiro,
crédito e alma). Tamanho custos associados as necessidades básicas e ainda mais
para garantir a contribuição ao sistema público, passa a ser aliviado na “não-ação democrática”, no alheamento
político, justificando em explicações que não parecem de responsabilidade
pessoal: é “graças à santa ignorância do
povo” e ao “Estado ausente e corrupto”.
E quem faz o povo? E quem faz o Estado?
Assim, a lógica operante no Brasil séculos após séculos pode
seguir operante, com a utilização da estrutura e dos recursos públicos para o
privado e particular, determinando situações de riscos e desconfortos para
milhões de vidas.
Mas todos os tomadores de decisão parecem estar tão
longe e inacessíveis: “lá em Brasília”,
“lá na prefeitura”, “lá na diretoria”, “lá na gerênciaaa”
(ecos)... Mas as consequências se traduzem bem, bem, perto: no estresse, na
robotização humana, nos “sapos engolidos”,
nas filas e filas intermináveis arranjadas em qualquer que seja o lugar, na
burocracia macunaímica, nos
engarrafamentos quilométricos, na comida-plástico envenenada e sem variedade,
nos morros em erosão, nas pilhas de lixo, na perda de tudo o que é nativo e
natural, no ar denso e fétido, nas águas poluídas e estancadas. Veias
bloqueadas e morte bruta.
Os trabalhadores-zumbis se dão então, como única liberdade, a
firmeza em se manterem alheios a si mesmos, de não seguir o pedido profundo de
fazer conforme o seu coração coletivo - que quer bem ao todo. Deixam-se levar
na inércia de um sistema estabelecido, mas viciado, dizendo “fazer o que?”, “foi sempre assim”, “tem que
acostumar”, “você vai acostumar,
senão...”, “todo mundo faz”, “o que vão dizer”, “não tem como ser diferente”.
Assassino, coveiro e morto se tornam um mesmo. In memorian: aqui jaz mais um. Fez-se
morto. Um a um: muitos mortos. Uma sociedade inteira: morta, sem vitalidade no
coração familiar e coletivo.
4. Olhar para além de si.
Expandindo a visão do coração individual, de cada brasileiro,
a todo o mundo a rodopiar nas linhas de atrações do universo, relativizado
ainda mais usando a escala do tempo sem mesmo ter que ir aos 4,6 bilhões de
anos atrás, da origem da Terra, basta só tentar lembrar coisas passadas: qual é
mesmo a importância daquilo que traz rugas?
Tão vaidosos o povo brasileiro que é, como se permite tantas
rugas de preocupação? Poderiam ser ainda mais belos se quisessem menos e se
desenvolvessem olhos para se contentar e melhorar aquilo que é natural, próprio,
local.
A beleza particular, tão rotineiramente exercitada e
preparada, não poderia expandir às ruas, praças, calçadas, jardins, muros,
edifícios, condomínios, favelas e rios? Sendo verdadeiramente arrumados e
belos, os brasileiros fariam do Brasil um país arrumado e belo, fora do
particular, antes de matraquear sobre higiene pessoal de cidadãos que muitas
vezes fazem uma gestão coletiva muito avançada, dos catadores de recicláveis ao
francês! Não há como ignorar a realidade e oferecer belezas artificiais. Dura
pouco e custa muito, para si e para o entorno. Seria possível atrelar cuidados
e beleza pessoal com cuidados e beleza social e ambiental? Buscando produtos
que sejam de qualidade para si e para o mundo todo, os melhores do mercado
também no tratamento dos recursos naturais e das pessoas. Qual é o critério das
escolhas? Bom preço pra quem? Por que tem bom preço?
Verdadeiramente belo, seria ver os brasileiros com maquiagem,
tinturas, esmalte, perfumes e brilhos em sintonia com o natural. Feito, utilizado
e degradado em proporções que só faz bem.
Mas até o momento, há um micro reinado dentro das casas, um
palácio com reis que mal observam o muro afora e, quando o faz, faz na sobre um
trono mais elevado, reclamando e pouco transformando. O “tudo de bom e do melhor” não precisa refletir muros a fora. A
beleza ardentemente desejada torna-se impossível e aprisiona como um graveto
faz ao cão condicionado.
E para o mundo a fora, os brasileiros parecem mesmo que só
fazem é fechar os olhos enfeitados com brilhantes e rímel – maquiagens que dão
gastos e desgostos e que acobertam um coração empoeirado.
Combinar a beleza de si com a coletiva pode resgatar
verdadeiras belezas. E a todo o tempo, no cotidiano e nas férias, os
brasileiros poderão passar na realidade de outro alguém e começar a compreender
o quanto o outro e a natureza são mais necessários e trazem mais segurança.
5. Parar para ver.
É possível ver detalhes no movimento das coisas? Passar certo
tempo no quieto, no cotidiano que envolve dias úteis e não úteis, poderá
revelar os maiores enganos em níveis pessoais e sociais e como se relacionam
(se retroalimentam). Para um bom brasileiro, ficar quieto ou não fazer nada é
quase uma afronta, podendo ser entendida até como ofensa.
Quem se sente agredido quando se busca quietude ou romper com
movimentos que pouco traz de bom? Talvez o maior incomodado seja o próprio. A
polícia de si mesmo é por vezes mais dura e intolerante que a de fora.
Será que de fato há algum desagrado que realmente não permita
que o brasileiro pare com o que não tá legal, seja lá com o que for?
Qual é o critério para o desagrado, em uma sociedade com padrões viciados
em grilhões invisíveis?
“Pão na mesa”, “conta em dia”, “a melhor educação para os filhos”, “qualidade de vida digna”, justificam mesmo a perda da liberdade, do
amor, da criatividade e da realização pessoal-coletiva? O que realmente
alimenta pais e filhos? Nunca há de faltar para quem compartilha e expõe o
maior do seu potencial como ser humano coletivo. Nem mesmo um milionário pode
existir sozinho. Sem nada, aliás, quer tudo. Mas os seus melhores vinhos vêm
das melhores terras, próprias para certa espécie, tipo e qualidade, fatores
compreendidos apenas pelos melhores e mais competentes produtores. Que não são
seus, e nem se “fosse”, seriam.
Talvez seja melhor não se levantar para trabalhar se for pra
ter sozinho e se sentir sozinho, especialmente se o trabalho contradiz sonhos.
A capacidade de ver se refina no repouso, e da forma como se quiser fazê-lo.
Nesse repouso, será possível reconhecer os sonhos de mundo que preenchem o
coração.
A quietude e o parar podem parecer um pesadelo, especialmente
quando o que tem de melhor parece ser “festas
e vantagens” ou um simples “encontrar
amigos”. Parar um pouco pode permitir perceber que não é por chatice, moral
ou beatice, mas porque se nota por si próprio o tempo e o esforço necessários
para recuperar os danos de uma festa, de
uma vantagem – se forem recuperáveis
- ou da improdutividade prática da maior parte dos encontros.
Parar não é ficar doente, e pode até representar a ação que
mais capaz de produzir. E produzir aquilo que é mais inédito ou esperado, e que
parecem que só seriam possíveis no futuro ou na revelação da morte. O parar
seria para ver e buscar aquilo que se quer, sem adiar por obrigações que
manipulam e podam sonhos. Autenticidade e naturalidades próprias seriam
expressas, sem necessidade mais de se manter aquela imagem do brasileiro
arrogante de músculos e poses esculpidas, fechado para o mundo, mas exibido em
vitrines de exposição, enganando o mundo com belezas que não suas. Romper-se-ia
o ciclo da mesmice festa após festa, jogo após jogo, notícia após notícia,
sessão após sessão, político após político, chefe após chefe, dia após dia...
Então, o Brasil seria mesmo um país diverso e multicultural,
belo sem necessidade de imitar padrões que não possuem porquês, que são sem pra
quês, sem razões. Seria de fato, bem sucedido e coletivamente rico.
Um “eu-feliz” não
existe sem “você-feliz”, sem um “todo-feliz”.
6. Mesclar
o sucesso pessoal com o sucesso coletivo.
É comum no começo de um ano novo fazer a listinha do que fica
e do que deve ser desfeito. Então, na lista do que se deve abrir mão em cada
novo ano (e até mesmo de se recusar) deve entrar livros, receitas, filmes,
propagandas, santinhos que ensinem a “crescer” e a “progredir” sozinhos, na
vantagem ou menosprezo dos outros, incluindo o ambiente natural. Investir em
ações de objetivos desconhecidos e até mesmo deixar dinheiro na poupança
rendendo faz de cada um cúmplice do enriquecimento de poucos e da degradação
sócio ambiental. É preciso mesclar o pessoal com o coletivo. Investir sabendo
em que, poupar e gastar, comprar, “crescer” sabendo como.
Considerando a dimensão da matéria, do tempo e do
espaço, nem sequer chegamos a existir... Aqui tudo é emprestado e tudo será
devolvido.
Então, também é prudente levar para a cooperativa de
reciclagem e deixar de adquirir livros, seriados, remédios e psicólogos da
linha autoajuda. Podem parecer úteis em um primeiro momento, mas o mais útil e
apropriado é reconhecer que há razões autênticas para não se sentir bem. Não se
sentir bem, vem do vazio de não seguir o próprio coração. E na organização da
sociedade e da economia atual, de crise verdadeira, a depressão não é pessoal.
É grupal.
Tão forte é a crise atual que as metas deste texto podem
mesmo soar inúteis, inocentes, sonhadoras e fracas, se no melhor dos casos, não
forem reduzidas a uma crítica ou ataque a alguém, a um grupo. Justamente, é
nessa demasiada auto-importância que reside o descompasso. Tudo que é pessoal é
coletivo. Então, há sim razões verdadeiras para se sentir na fossa, para entristecer. Há muitos
julgamentos, comparações e idealização do que se deve ser, no nível pessoal e
coletivo. Torna-se irônica tamanha distância, isolamento, apatia e descuido
social e ambiental nesta sociedade da comunicação, autopromovida como a mais
avançada da história da humanidade (comparado com...?).
Das fossas pode
sair o melhor adubo.
A tristeza não deve ser vista como doença. Doente está o
sistema atual, que tira do ser humano aquilo que lhe garante humanidade: o húmus, a terra mesmo. No Brasil é ainda
mais grave, pois a pequena agricultura foi associada com miséria e o espaço
rural foi preenchido pelas atividades do agrobusiness,
sendo poucos os produtores que
descem dos seus motorizados e pisam no barro, nadam nos rios, amam na
biodiversidade, observam chuvas e estrelas.
Logo, distantes do que provê a vida de forma direta, só
podemos ficar tristes. Sem pé na água limpa, sem pé na terra boa, sem mãos
apanhando frutos vivos. Só pé nos saltos altos, só pé no piso frio, só mãos
pagando por frutos mortos. Não há como abruptamente se tornar “embalável e
descartável”. O que se tem de mais verdadeiro na humanidade está completamente
ligado à natureza, que só ensina, pelo exemplo, a dividir: dos átomos
permutáveis a tantas relações ecológicas, sem qualquer razão que teoria humana
possa encaixar.
7. Cultivar a terra, mesmo que em
pequenos vasos.
Cultivar a terra com plantas ornamentais, medicinais ou
comestíveis, mesmo que em pequenos vasos, pode ser uma grande, e das mais
importantes atividades do dia-a-dia. Sendo gentil e olhando a necessidade de
uma planta pode-se entender o quanto “tanta coisa é falsa”. As respostas das
amigas verdejantes são rápidas e uma amizade indescritível surge como retorno.
Com as plantas, não cabe miséria, nem de espírito, nem de matéria. E coletando
o sol, podem distribuir mais do que acumular.
A miséria é artificialmente criada, como uma obra de
engenharia ou arquitetura, quando uma aparente
abundância só se encontra disponível para poucos. Mas no retorno a terra,
instrumentalização com as novas ferramentas da criatividade e da motivação
profunda, o pobre torna-se o rico e o rico torna-se o pobre - e considerando a
verdade do espaço-tempo, tais termos e estados nem sequer existem.
8. Aprender mais, sem estudar ou comprar qualquer coisa ou método.
Parece que os brasileiros estão sabendo menos e tendo menos
curiosidade sobre as coisas. Como meta para novos anos, poderia incluir o abrir
espaço para aprender algo novo ou melhorar não só naquilo que sempre se quis
saber, fazer ou entender. Para tal aprendizado, só será necessário atenção, sem
professores especiais, virá com o que estiver mais prontamente disponível:
independente da espécie, de títulos, idade, profissões, classes, experiência
profissional, instituição de origem – já não essas as maquiagens mais falsas e
mais amplamente usadas no Brasil?
Caminhar e olhar profundo no olho de tudo que vive é uma
dádiva de paz contra qualquer aflição e egoísmo. O dom de viver não é exclusivo
e não cabe querer viver de forma exclusiva nos espaços comuns, e por isso deve
considerar, inclusive, a diversidade de espécies naturais.
O Brasil como maior consumidor de agrotóxicos do mundo
demonstra grande índole biofóbica, quando era esperado o oposto, sendo
multidiverso, multicultural, tropical. Mas maquiadamente belos e saudáveis, os
brasileiros se permitem consumir por todas as vias de contato (boca, nariz,
pele) litros e litros de venenos e produtos químicos de ação desconhecida a
cada ano velho. Vai acumulando para as necessidades futuras, que sejam em
longínquos anos vindouros!
Não seria mais sensato, buscar entender que uma pessoa, um
brasileiro, não é Rei? Qualquer um que exista, não tem como fugir, divide o
reino da Vida com muitos e inúmeros seres. Além do que a posição de Rei requer
reinado e oprimidos. Bastaria entender que todos que vivem têm o mesmo direito
à vida – independente de certo julgamento que pode entender como repulsivo,
embora seja incapaz de reproduzir tamanha engenharia biológica, qualquer que
seja. O melhor para todos, seria conciliar e promover estratégias de convívio e
paz, muito possíveis na elaboração criativa e na análise. Tornar-se-ia um
aprendizado com divertimento e benefícios comuns garantidos.
Fobias, neuroses, indignações, raivas contra outros seres
viventes poderiam ser direcionados para analisar e resolver os fatores que
causam desequilíbrios ecológicos responsáveis por algo que se destaca como
negativo. Seriam sentimentos autênticos e transformadores.
Olhar no gérmen de tudo o que vive traz paz e serenidade e
revela de imediato, possibilidades para a convivência. Nascendo sorrisos comuns.
9. Focar no que é confortável e
natural em si mesmo.
Na dúvida quando no exercício para cumprir essas metas de
todo ano, que é novo a cada dia, só olhe para a sua serenidade. O que traz paz
jamais pode vir de modelos externos, do padrão dos outros e de comparações.
Cada um tem um potencial e uma combinação própria que ninguém pode compreender
e muito menos poderá julgar como certo ou errado. Não é tão brasileira a fala:
“macaco senta no rabo e olha o dos outros”?
Não há a quem agradar, sem agradar e estar em paz consigo, nos principais
campos que ocupam no dia-a-dia, como do trabalho e do lazer.
Melhor seria ser mais leve que moralista. O brasileiro sabe,
mas esquece, de onde vêm as raízes da sua moralidade, notadamente improdutiva –
basta observar as notícias dos jornais. Por isso é importante ficar atento e
vigilante o tempo todo, e passo a passo será natural trocar a televisão,
falso-profetas e pontos no placar-do-sucesso-pessoal por outras necessidades. Talvez
baste apenas brincar de inventar pela casa, pelo jardim, pela rua (pondo em
ação a 8° meta), com quem quiser e estiver presente. Atividades próprias
certamente seriam bem melhores, mais saudáveis e produtivas do que o adormecer
do lúdico e do criativo que parece podar pelo padrão pais, filhos, amigos,
vizinhos, todo um país. Aos poucos meios práticos de transformar a casa, a rua,
a comunidade, o bairro, a cidade e o país podem aparecer.
A medida do confortável natural é natural, porque princípio é
alegre e pacífico. Quem prega o desvio da natureza humana para o bélico é
porque novamente usa o público para o benefício particular e quer sufocar o
potencial que tem em todos os corações por ainda se achar Rei.
O desvio da alegria e da paz natural pode ser usado,
inclusive, como indicador, um sinal de um desequilíbrio social e ambiental.
Então, se faz necessário parar para ver (5° meta) e para poder dar início as
melhores estratégias que possam evitar o que causa esse desequilíbrio – pode
até implicar em certo conflito e insegurança no começo, mas haveria uma base
sempre leve e pacífica. Tal conflito e insegurança são normais, pois maus
hábitos e vícios pessoais e sociais estão enraizados. Poderá parecer demais
para um cão condicionado, que ele estava o tempo todo preso em um graveto,
quando era suposto que o colocasse em algo que o prenda mais substancialmente.
Ele mesmo quase quer se amarrar em algo melhor.
Aos poucos os conflitos e incertezas passam, pois o benefício
transcende o pessoal e será percebido no coletivo. Cores retornam e ninguém
morrerá de fome, ninguém cairá no descrédito – muito pelo contrário: pessoas e
seres que se movem com um coração coletivo inspiram aos demais!
Ninguém poderia cobrar trabalho, contas e impostos indevidos
– o poder de tornar legal o que é ilegal
e de corromper em benefício particular o que é público não se manteria em
nenhum nível. As soluções criativo-coletivas se intensificariam e passo a
passo a liberdade seria resgatada. Seriam os brasileiros capazes de entender
que tudo é emprestado, e pior, que no espaço-tempo o particular nem sequer
existe? O que é o dinheiro e o consumo tão desenfreado a custos da exploração
de pessoas e da natureza seriam reconhecidos como a maior das ilusões. Que
prende um cão acorrentado ficticiamente a um graveto.
Livre, a lógica é a do viver, fazer acontecer aqui e agora! É no exercício da criatividade que
uma pessoa se realiza. E nisso sim, cada um é exclusivo e possui potencial
único, próprio e irreprodutível. Tais quais linhas das digitais. Com a
expressão real do caráter criativo de um ser vivente, o trabalho no Brasil
deixaria de ser escravo, quiçá ainda no século XXI.
Qualquer dúvida é só olhar o coração: está leve? Está alegre?
Está simples? Sendo sociais e naturais, o coração bate em um ritmo tranquilo.
10. Simplificar.
Melhor abrir mão também, junto com todo o exagero e a
reclamação, tudo o que preocupa. Só remanescerá aquilo que é de
responsabilidade própria, que tem base no amor, que por si traz a necessidade
de um esforço legítimo, mas que não atormenta, porque é próprio e natural.
Seja com um filho, uma família, uma comunidade, uma empresa,
um país, uma peça, um livro, um artesanato, uma obra, uma safra, uma nova
economia, é melhor ser responsável pelas próprias crenças de ética do que
seguir a lógica confusa e vantagista de
outros que, inclusive, em nome da justiça, ética, sustentabilidade, sociedade
(e até de Deus!) só faz piorar...
Mas o certo é simples, e é fácil reconhecer a direção dos
impactos. O certo não compactua com o erro, o coração e a paz não deixam. Não
se mescla: é água e óleo. “Viu ou ouviu
algum esquema suspeito?”, então diga confiante: “Tchau e benção! Fui!”. E assim, o brasileiro não venderiam mais o
seu trabalho para algo ou alguém cujos recursos e objetivos fossem duvidosos.
Isso no espectro de todas as profissões existentes, todas igualmente
importantes socialmente.
Não servindo
mais ao sistema corrupto, os trabalhadores sedentos de si mesmos, parariam o
Brasil. E o obrigariam a Ver e a se Reformular, em uma maior escala de
planejamento de país, de ações públicas. Porque é fato que nunca houve uma
transformação social e econômica no Brasil para o que é próprio e necessário.
Modelos após modelos político-econômicos foram todos ume o mesmo, uma
sequência, desde o “descobrimento”.
Simplificando na autenticidade de si mesmo, do seu natural,
os brasileiros poderiam realmente fazer diferente nos próximos anos, com ou sem
Copa do Mundo, com ou sem eleição. Surgidos em sua síntese própria, depois de
tantos danos históricos, estariam animados e dispostos a mover os sonhos
remanescentes de dentro pra fora, do pequeno para o mundo, de um para o outro
(de mim pra você, de você para o outro) e a fazer somente o que traz benefício, alegria e paz direta, aqui e agora.
10 metas
para Mudar o país no ano que todo dia se inicia
1) Expandir o sentimento do “fim de
semana/ feriado/ férias” para os “dias de trabalho”.
2) Fazer somente o que se gosta e preenche.
3) Expandir o conceito do
“cuidado familiar” para o entorno.
4) Olhar ao redor.
5) Parar para ver.
6) Mesclar o sucesso pessoal com o sucesso coletivo.
7) Cultivar a terra, mesmo que em pequenos vasos.
8) Aprender mais, sem estudar ou comprar qualquer coisa ou método.
9) Focar no que é confortável e natural em si mesmo.
10) Simplificar.
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