terça-feira, 20 de dezembro de 2011

PIB para quem, Cara Pálida?

Cacique chora, junto com o choro das árvores vai subir o mar... Belo monte atende exigências do IBAMA. Biodiversidade, sociedades tradicionais? Não podem manter o PIB “parado, mas sempre crescente”! Mortes continuam sendo encomendadas e o Faustão está sempre igual todos os domingos... Proezas do "Brazil" do Século XXI!
De que forma os órgãos governamentais representam a sociedade, conhecem sua realidade e elaboram programas para benefícios econômicos e socioambientais?
Com pesar tenho acompanhado as notícias das "nossas" decisões políticas, por isso e por outras razões eu anulei meu voto na decisão presidencial: Serra ou Dilma, pois a diferença estava no passado (e olhe lá!). Era também “democrática” aquela Animal Farm...
Quanta confusão no uso dos conceitos e dos termos e na definição dos compromissos em plena Era da Informação! Irônico desencontro. Não era no fim do mundo que estava previsto que a
humanidade falaria entre si e não mais se faria entender? Como se subitamente fossem falantes de línguas completamente diferentes?
Parece ser também um período retrógado em questão de tecnologia e desenvolvimento econômico, dada a qualidade do conhecimento científico e "social-antropológico" que temos, pelo menos nos acervos digitais e impressos, nos periódicos internacionais e nos raros projetos e mentes de “dissidentes”, “bichos-grilos”, “subversivos”... Nada disso ajudará se vivemos no imediatismo, reducionismo e inércia político-econômica. Vai dar trabalho viver por aqui nos próximos anos...
Se pouco lembramos das nossas próprias Vidas atuais e pouco sabemos dElas e sobre o "funcionamento das coisas", então como podemos viver tão inertes no mundo? Por que não
desconfiar que teremos outra vida em outra parte sob outras condições? Quem poderá saber se não estaremos ajudando nossos pais a se mudar da floresta que era Tudo para eles e ir para onde? Ou se não teremos que usar os bebedouros contra nematódeos desenvolvidos pela ONU para chupar água da terra? Ou andar quilômetros pra trazer um galão de óleo diesel cheio de água pra casa? Ou se não estaremos tomando um tiro por querer manter sua castanheira e toda a sua tradição familiar? Bem, poderemos ser também aquele que sem tradição vai ficar lutando
pra manter as finanças que "acha" que herdou, ignorando de onde veio o montante. Dinheiro que ajudou na "encomenda" para a retirada da vida de alguém - que é querido de outros e tem em si o mesmo direito de ter a vida! Assim, poderemos viver em nossos feudos que levam nome de árvores, de natureza, de reduto ecológicos e sonhos pré-industriais, para criar nossos filhos em bolha, alheio ao mesmo mundo que compartilhamos com todos os outros seres! É
estranho ignorar o pedido de qualquer criatura, quem quer que seja.
De criança chorei na noite em que vi na televisão as aves marinhas cheias de óleo lutando para sobreviver a um derramamento. Com os meus 15 anos radicais também chorei quando ouvi de uma outra criança como eu vociferar contra os projetos e campanhas que lutam pela vida silvestre na lógica de que é um desperdício de dinheiro e trabalho humano em uma sociedade que ainda tem miseráveis, pessoas passando fome. Chorei por não conseguir explicar que pensava eu que miseráveis e famintos fazem aqueles que distanciam o homem da natureza, da vida silvestre, limitando o acesso aos recursos por meio do “tratamento industrial” e das “relações de mercado”. Ela mandou em palavrões as tartarugas para o fim... e eu, chorei igual naquele dia sozinha no travesseiro.
Eu agora de bióloga (de carteirinha e tudo mesmo), vou virando paleontóloga...
Não acredito que o "Brasil está crescendo. O PIB nada é se não for para a qualidade direta da vida do seu povo! Alguns dedos das mãos estão longe de fazer o todo. E o todo não pode acreditar nisso, só porque esses dedos tem oratória e meios globais de se passarem por "iguais".
"Não se dormirá em camas (com lençóis)".

P.S.: Ah! E "Grilo é um ser imprestável para o Silêncio" (Manuel de Barros)